15 December 2014

Crónica: "about comfort..."


Há semanas, meses até, que fui confrontada com uma revelação que no mínimo (posso admitir) me chocou (porque surpreendida não chegava para descrever tal situação). Tal momento proveio duma conversa, de amigo para amiga. E desde esse dia, muitas questões se levantaram, muitas horas foram faladas e muita verdade foi trazida.
Mas, como todas estas histórias costumam ser, não houve ainda nenhum desfecho a que possamos chamar "chegou-se a uma conclusão".
Ainda assim, e porque eu adoro coisas que me façam pensar, eu obrigo-me a perguntar - Será mesmo possível abdicarmos de nós próprios por conforto? Por comodismo? (Obrigo-me a pronunciar "a" palavra!)
Em que altura da nossa própria vida decidimos deixar a coisa que nós somos, a personalidade que nos marca e define exactamente como somos, em prol de algo que (não) vivemos e (não) acreditamos?! Porque é que abdicamos do melhor que podemos ser por um prazer momentâneo de segundos?
Eu não acredito na vida assim, não acredito, nem quero acreditar, que alguma vez na vida temos de desistir e baixar os nossos próprios braços da luta que cremos ser a solução da nossa felicidade. As pessoas vendem-se por sonhos baratos - quando digo sonhos, falo em facilidades. Qual é a piada, ou qual é o objectivo de se ser fácil?!
A vida é absolutamente fabulosa se corrermos o risco de nos desafiarmos, de decidirmos coisas, se fizermos as nossas próprias escolhas. Sem receios de sermos julgados, de sermos confrontados com o olhar de desaprovação ou de tristeza duns quantos sujeitos que vão ter de se cruzar connosco. A realidade é só uma, ninguém está pronto para tudo, nem ninguém deve estar habituado a nada.
E o meu "medo" é só este, será correcto - para nós, e para os outros - hesitarmos tantas vezes seguidas carregarmos no botão que nos tira do jogo e nos permite recomeçar num lugar diferente?! Estamos a ser justos connosco próprios e com os demais, estaremos a ser os bons ou os maus...
Para quem não saiba, há sensações, que nenhum conforto, nenhum hábito, podem alguma vez alcançar ou sequer reconhecer. (Era só isto que eu queria dizer - "thinking out loud").

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