19 October 2013

Alta Definição

A solidão é uma coisa um bocadinho com uma fama desgustante para a maior parte das pessoas, porque têm a sensação que são abandonadas ou rejeitadas, eu não tenho essa sensação. A solidão é um luxo, uma possibilidade de eu solicitar as companhias que pretendo, os livros, os discos, os dvds.

Eu não gosto de expectativas, porque são sempre desapontamentos.

O amor ensina-se? O amor aprende-se, não se ensina não.
Como é que aprendeu o amor? Errando, experimentando, tentando, talvez ignorando também, vendo, lendo. O amor aprende-se de todas as maneiras. 

Amar? Silêncio.
Amar é outra coisa... Sim amar é o conhecimento e a condescendência de aceitar na outra pessoa aquilo que ela aceita em nós.
Mais comum? O amor... O amor? Já li isso já. O amor é estar presente quando é necessário...

Resolveu um problema de interrogação que eu não percebia bem como é que tinha caído na esparrela de evitar, ou seja, de inventar o que não existia, dizendo que era aquilo que gostava, porque a paixão é uma coisa doentia, é um estado para mim não desejável. Porque é que se tenta inventar uma coisa que não existe, e que vai irreversivelmente arrastar-nos para a descoberta de que é um desapontamento.
É sempre um desapontamento? Então, a coisa não existe, somos nós que a inventamos nem a outra pessoa é culpada da nossa invenção, não pode corresponder a ela porque é superlativa à sua própria existência e nós não podemos nunca encontrar. Eu acho que é mesmo um sentido de querer bater com a cabeça contra a parede. É assim uma coisa inconscientemente voluntária de querer abrir a cabeça.

A memória amplifica os amores, sublima-os? Apura o estado, a compreensão própria, e quando é própria é dos outros. Nós só compreendemos os outros através de nós mesmos. É uma ilusão altruísta dizer que ignoramo-nos e gostamos imenso dos outros. Não, nós conhecemos os outros porque relacionamos os outros com aquilo que conhecemos. É uma coisa narcisística? Possivelmente será.
E o desapontamento também se sublima? Sim, mas já não é a mesma coisa. Porque o desapontamento é uma utopia momentânea, o desapontamento é as cinzas dessa utopia, não tem a ver com a elaboração nem com a maturidade em relação ao sítio onde se esteve. É um estado intermédio, receoso para quem é consciente e não é masoquista. Nunca é repetível, por isso os enganos são tão frequentes.

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