19 July 2013

"Viver sem expectativas". Costuma ser um conselho sensato, e no mínimo pouco viável, para quem chega ao ponto que vive de esperança em esperança pouco iluminadas. "Não esperes nada de ninguém, assim tudo que vier vai ser lucro".
Todos nós concordamos de bom senso na veracidade destas palavras, a realidade é que nunca achamos que vamos conseguir alcançá-las, é um "triste" facto, mas vamos tentando agarrá-las, ainda que por meros (escassos) segundos. E por momentos até acenamos com a cabeça, compreendemos que tudo poderia ser melhor assim e vamos criando a ilusão inocente que um dia lá chegaremos e vamo-nos sentir melhores connosco próprios.
Mas deixem de viver ideias pré-concebidas. Deixem de tentar alcançar a superioridade emocional que vos trará conforto e alegria para o futuro inteiro. A realidade, dura, fria e crua, é que um dia, sem saber explicar bem porquê, ao fim de tantas mágoas e dores insuportáveis, damos por nós agarrados a algo ou a alguém que não nos suscita mais que o prazer instantâneo do momento. Vivemos tão agarrados à dita sensação que nos faz "a pessoa mais feliz do mundo" durante aqueles poucos instantes, que nos esquecemos de como vão ser as horas e os dias seguintes. E de tanto massacrarmos o coração, a alma e o próprio corpo vezes e vezes sem conta, chegamos ao dia que não esperamos mais do que os efémeros minutos que nos proporcionam as sensações mais prazerosas que podemos lembrar. Já não contamos com mais nada, surpreendemo-nos por todo o mínimo contacto que pode surgir nos dias posteriores e o coração já não se aperta tanto por esperarmos o silêncio da outra parte. E isto, é uma vida e uma realidade estúpida!
Alcançámos, chegámos ao ponto tão desejado, de que tudo que vem é um prémio que nos faz bem. E querem saber? Desilusão, profunda. Sinto-me a viver menos de metade do que mereço, faz-me falta tudo que me proporciona emoção. E o pior é que não sei como sair daqui, porque já não sei esperar por nada, já pouco ou nada ambiciono, e o meu coração, todo ele, funciona mais como um relógio suíço do que o meu próprio raciocínio. É uma escuridão. Não há amor, não há dor, há um vazio...
Só tenho memórias de como é gostar a sério, e isto é doentio. Um veneno que me consome pouco a pouco, como uma ampulheta a empurrar grão a grão para baixo em lentos movimentos.
Um dia ficarei bem, eu sei. Mas hoje ainda não é o dia. Vivam, vivam sem medos, sintam tudo, chorem e riam, porque depois que se passa a última linha das sensações, o vazio que resta é demasiado penoso e assustador para se esboçar o mínimo sussurro (não se deixem morrer!).
(Hoje, isto é tudo de mim.)

09 July 2013



E aos poucos ele começa a entrar na tua vida e vira-te o mundo confortável e sossegado de pernas para o ar. Ele é novidade (em todos os aspectos), e vicia-te em novos vícios. Tu não sabes ainda o que é que ele é na tua vida, não sabes o que hás-de pensar, achar ou sentir por ele. Porque ele é tudo com que tu não contavas e não esperavas que aparecesse. Mas tu ris, e ris muito com ele, perdes até a noção da linha ténue que te separa da loucura. Ele faz-te viver mais, mas não vivas demais. Ri, sorri mais um pouco*