28 May 2011


Nunca escolhemos por quem nos apaixonamos, porque isso faz parte da vida. Mas podemos escolher por quem não nos apaixonamos, ainda antes de conhecermos essa pessoa.
O amor é complicado. O amor não tem regras, e por vezes confundimos as relações com o amor, e tentamos regular o que só por si não tem regras. É por este motivo que a vida nos enche de relações frustradas, incompletas. As relações não são o amor. As relações são a tentativa da junção do amor com o compromisso. Mas as pessoas estão a toda a hora a confundi-las. A maioria delas considera as relações como o amor, mas o amor só por si não chega para sustentar uma relação completa.
Uma relação é, na maioria dos casos, um acto sem amor. É a junção de coisas básicas, diárias, de carinho e respeito, de compreensão e de confiança. A relação não cultiva o amor. O amor é que tem de cultivar a relação. Mas, mais uma vez, não é só o amor que constrói a relação.
Só descobrimos o amor uma vez, e única, na vida. E isso fica para sempre, quer queiramos ou não. Magoe, torture, desfaça. O amor é para sempre. Já as relações, e as pessoas, não são para sempre. Somos humanos, e erramos. Somos egoístas, orgulhosos, desejosos, inquietos, insuportáveis até. E o amor é tudo menos humano. Está muito além de tudo aquilo que algum dia podemos ser. Não compreendemos, porque somos seres incompreensíveis tantas tantas vezes.
E é na simples aceitação da vida, do destino se calhar, que chegamos à estabilidade. Quando nos deixamos levar pelo melhor de nós, com tudo que sentimos e pensamos, correctos, no sítio exacto, é que chegamos ao apogeu de tudo. Do amor, da relação, da pessoa certa, da atitude indicada, da reacção correcta, da palavra ideal, do funcionamento perfeito. É aqui que entramos em sincronia, onde o bom e o mau se equilibram de forma a ganhar sempre o importante e o imprescindível para nós.
É aqui que chegamos após muito tempo, depois de muitos caminhos mal calcados. Mas chegamos, e só isso por si, já compensa tudo o resto.

21 May 2011


Falando simplesmente, pondo as coisas de forma clara, a verdade é esta, aos 19 anos nunca sabemos correctamente quando estamos no lugar certo ou no errado, qual é o momento em que devemos ou não avançar. Quanto tempo mais devemos esperar. É difícil tomar todas estas decisões, é difícil saber quem devemos ser para quase todas as ocasiões. E mais difícil às vezes, é sabermos quem realmente somos, ou como somos. São mais as vezes em que achamos que estamos errados do que correctos. A fase de "que já sabemos tudo, já vivemos tudo" já passou, e passamos a apercebermo-nos que na realidade pouco, ou quase nada ainda sabemos.
Na maioria nesta idade, nesta era tão inovadora, ou já passámos pela separação dos pais, ou nunca vivemos com os dois em conjunto. A maioria de nós vê os pais a refazerem as suas vidas, depois de perderem o emprego, se calhar o nível de vida até baixa consideravelmente. Acabamos por estar na idade do final do secundário, do início da faculdade. É como a transição entre sermos crianças e começarmos a perceber a vida adulta. Já todos devemos ter passado pelos nossos part-times. E a parte da revolta atenua-se, mas o afastamento dos laços familiares, que quando somos pequenos criamos com tanta vontade, acaba por estar cada vez mais evidente no nosso dia-a-dia. Deixamos de saber como gerir o tempo muitas vezes, entre os estudos, os amigos, a família. E já sabemos quase todos qual é sempre a primeira opção, daquilo que de certa forma nos dá a identidade que temos nos dias de hoje.
A verdade é que aos 19 anos, já devemos ter todos fumado, bebido até cair para ao lado, tido relações sexuais com mais do que um parceiro, já discutimos por todas e quaisquer razões do mundo, já nos apeteceu desaparecer para longe de tudo e todos. Todos desejámos chegar a este patamar, alcançar a idade que nós consideramos vir com tudo do bom e do melhor, mas chegámos cá e nem sabemos como nos deparar com a maioria das coisas. Já passámos quase todos por um desgosto amoroso que dá cabo da nossa confiança para encontrar alguém que fique do nosso lado a sério, de verdade, que seja "o nosso porto de abrigo e esteja pronto para o que der e vier, para sempre". E tudo isto gera um abalo psicológico, que sinceramente, acho que não é normal em pessoas do nosso feitio viver assim.
E alguns, nem todos, a minoria (espero eu), chega aqui e não sabe ao certo qual o próximo degrau a subir, ou até se tem de voltar atrás. São milhões de dúvidas que nos atacam em vários momentos, que a maioria das vezes nos torna seres "viciados em insónias". E volto a dizer, não é normal, nem saudável, chegarmos aos 19 anos e sentirmo-nos como se tivéssemos vivido já dezenas de anos, e nada do que aprendemos, nada do que passámos, nos tenha ajudado em nada para agora continuar em frente. Estamos quase todos à procura do mesmo, dum propósito, da escolha certa que nos faça lutar sem olhar a meios para alcançar o que realmente nos vai fazer feliz no futuro, o que sempre achámos que estava tão distante e agora parece estar demasiado perto.
Precisamos de ajuda para isto, e cada um de nós ao seu modo, vai encontrando as ferramentas possíveis, nem que seja passar um ano presos a um curso que não queremos mesmo nada terminar, voltar a estudar matérias que achámos que já estavam mais que arrumadas com os exames que nos deram entrada a este "lugar de sonho", e esperar mais um ano para voltar a tentar. Para recomeçar.
No fundo, se não acreditarmos nós em nós mesmos, mais ninguém o pode fazer. Um dia havemos de lá chegar, e nem posso duvidar que vai ser maravilhoso!