23 September 2010

passado, presente e futuro


Deixei de lhe chamar presente. Porque foi o que ela deixou de ser na minha vida. Já nem sei bem há quanto tempo. Nem sei realmente quando é que ela o foi a última vez. E nem me lembro como era quando foi.
Será sempre passado na minha vida, disso eu tenho a certeza, nenhuma dor, nem nenhuma desilusão o pode negar. Isso está intacto, como a verdade mais verdadeira de todas. Nunca saberei se pode ser futuro. Nem ela deve pensar nisso. Mas o presente está proibido, como um castigo severo que é consequência de todas as más escolhas na nossa vida.
O nosso passado dava um livro, daqueles que é preenchido por inúmeros capítulos, que começam e acabam sempre de maneira diferente, com temas muito variados. Um livro daqueles que quando lemos a primeira vez, queremos insistentemente ler outra vez, outra vez, e outra vez. Sem saber quando o vício se acaba. Um livro que nos marca pela presença familiar que tem na nossa história, em qualquer idade ou em qualquer lugar. O livro que nós queremos apresentar aos nossos filhos como um exemplo de vida, e que guardamos debaixo do travesseiro para poder devanear com ele. Eu juro, seria um livro fantástico.
O essencial que havia nisto tudo eram os valores e os sentimentos que carregávamos connosco. Em todas as memórias que existem, eles estavam lá presentes. Anos somados com anos, que dão quase no total uma vida completa. Conseguia ser mais forte, mais real e mais vivenciado que uma relação unida pelo sangue.
É inacreditável como o destino 'prega partidas', nos desaloja do nosso melhor lar e nos tira o único porto de abrigo que julgávamos eterno.

Nunca devíamos fazer promessas que não estamos dispostos a cumprir; há um bocado de nós que se perde, para sempre, quando faltamos ou nos faltam, com a palavra.

1 comment:

Anonymous said...

"É inacreditável como o destino 'prega partidas', nos desaloja do nosso melhor lar e nos tira o único porto de abrigo que julgávamos eterno" -

sempre que os leio nao sei o que dizer, tenho medo de te magoar em alguma palavra que eu possa nao dizer da maneira que quero, tenho realmente medo de estragar o pouco que ainda nos resta. O nosso livro daria e ainda dá uma grande e boa história para contar a qualquer pessoa que tenha entrado mais tarde e nao tenho visto tudo o que passamos para o podermos escrever (se ele existesse)... É complicado, queria dizer-te imensa coisa, mas vai ficando impossivel de dia para dia, que te sinto a afastar (culpa minha). Queria passar uma borracha nisto tudo, e eu sei que se nós realmente quisessemos conseguiriamos, mas será que tu ainda o queres ? Será que eu conseguirei voltar a ser a "melhor amiga" que tu tanto precisas (ou precisavas) ? Não sei, eu queria tanto dizer-te que é possivel, mas já poucas oportunidades me restam e eu sei que nao poderei voltar a errar, nem eu própria me iria perdoar. Ficam suspensas tantas questões que faço a mim mesma, continuo sem respostas.

"Há um bocado de nós que se perde, quando faltamos ou nos faltam, com a palavra" (nao quero prometer, mas queria tentar, por tudo o que sinto por ti, por tudo o que já passamos juntas e mesmo que neste momento possa nao estar a lutar da melhor maneira, mas nunca vou desistir.)